Condenado médico que esqueceu ataduras em abdômen de paciente  
  Data de publicação: 17/01/2012  
     
 

O Tribunal de Justiça condenou o médico J. M. ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 24 mil em favor de O. R.. A autora submeteu-se a procedimento cirúrgico realizado por J., para retirada de cálculos (pedras) na vesícula. No pós-operatório, veio a apresentar fortes dores abdominais, vômito e hipertensão, mas, apesar das reações, o médico lhe deu alta.

As dores persistiram, inclusive, o abdômen inchou, momento em que O. procurou outro hospital e ficou internada por sete dias, com o diagnóstico de problema no pâncreas. Mais uma vez sem quadro de melhora, a autora foi a um posto de saúde. Lá, o atestado foi outro: problema no fígado. Só depois de quase três anos, a autora descobriu, por meio de um exame de ultra-sonografia, que havia ataduras em seu abdômen.

O médico, em defesa, sustentou que a autora jamais lhe relatou qualquer reclamação ou incômodo na região da cirurgia. Acrescentou que não é possível identificar a presença de corpo estranho nos exames anexados aos autos.

 "Não há dúvidas, portanto, de que havia material estranho no interior da cavidade abdominal da autora, comprovado pelo exame utrassonográfico e pela declaração do profissional que efetuou o procedimento", anotou o relator da matéria, desembargador Henry Petry Junior.

O teor da prova testemunhal e a perícia médica realizada, acrescentou o magistrado, possibilitaram estabelecer o nexo de causalidade entre a conduta do acionado e os danos sofridos pela autora, bem como caracterizar a sua negligência e imprudência na atuação profissional.

A 5ª Câmara de Direito Civil reformou parcialmente a sentença da comarca de Joaçaba apenas para minorar o valor indenizatório, antes arbitrado em R$ 30 mil. A votação foi unânime. Há possibilidade de recurso aos tribunais superiores.

Ap. Cív. n. 2010.075078-0

Fonte: Tribunal de Justiça de Santa Catarina

 
     
   
 

 

 

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